Me encontre

Me encontre      Twitter  |   Facebook  |   Email

25 maio 2012

Tributo aos "DJ's"

Não quero ser mais um pra falar mal dos funkeiros, pra isso já tem um monte de gente. Não falo dos funkeiros em si, mas daqueles que insistem em escutar esse tipo de música, em transportes públicos, e ainda sem fone.

Pegar um ônibus nesse horário é sempre difícil, tem muita gente. Em plena 06:00hs, o cidadão já estava escutando um “pancadão”. O cara não tá nem aí, simplesmente pega seu aparelho (celular, radinho), e começa a ser o DJ do ônibus. O ruim desse DJ, é que é incoveniente, e não se toca de jeito algum. Fiquei com uma imensa vontade de falar isso pra ele, mas nem precisou, o senhor do seu lado disse:

“-Ow cara, abaixa isso daí, não sou obrigado a ouvir esse tipo de música!”

O “DJ” ficou tão sem graça, que foi obrigado a desligar o aparelho. Mas um verdadeiro “DJ” não desiste tão fácil. Logo que o senhor desceu, ligou toda a aparelhagem novamente. Não dava nem pra ver o rosto do cidadão, estava tão cheio aquilo ali. Como se não bastasse o funk, começou a fazer também uma seleção de forrós (daqueles bem ousados). Isso foi a gota d’água, começaram a vaiar, e não houve outra saída a não ser ele descer do ônibus.

Analiso essa situação a parte, e vejo uma porção de coragem da parte desses DJ’s. Não é qualquer um que consegue fazer isso. Alguns (senão todos) podem fazer isso pra se aparecer, mas ainda sim são corajosos, porém a inconveniência é muito grande.

17 maio 2012

Pesagem de mandioca

Seria tão mais fácil me mandar comprar um pão, uma carne, ou até mesmo uma bolacha, mas não, minha mãe me mandou comprar mandioca. O resultado final é muito bom, uma bela carne cozida, com mandioca e temperos divinos, mas até chegar lá vai um tanto de acontecimentos.

Com certeza eu não sou o primeiro, e nem o último que se sente lesado na hora de comprar uma mandioca. Você pede um tanto, o cara “pesa” naquela balança (que mais parece um teço de ferro enferrujado). Não foi diferente nesse dia, pedi R$ 2,00 de mandioca. O Seu Genésio, muito conhecido aqui, me pegou duas peças, “pesou” e me entregou. Disse ele que ali pesavam 3 kg. Eu sem ter o que dizer (mas muito desconfiado), entreguei o dinheiro e fui embora.

A minha fome só queria saber do produto final, então nem ligava para o resto. Quando cheguei em casa, deixei tudo lá na pia mesmo, e subi para o meu quarto. Não demorou muito e minha mãe já estava gritando comigo:

- “Menino, sua tia vai vir jantar aqui, vai comprar mais mandioca!”

E lá vai o pobre menino, ser enganado mais uma vez. Dessa vez eu fui com mais dinheiro, esperando não ter que voltar outra vez ali. Entreguei R$ 5,00 para Seu Genésio. E de novo não me surpreendeu, pegou duas peças, “pesou” e me entregou dizendo:

- “Boa sopa garoto!”

26 abril 2012

Casaisinhos apaixonadinhos

Se existe algo que eu odeie mais do que jiló, é de gente idiota. Quando se juntam duas então... Quando têm mais de quinze anos então... Quando são namorados, meu Deus!

Eu estava no parque, precisava me distrair um pouco para esquecer os problemas. Como ninguém é de ferro, logo bateu a fome, então fui para a lanchonete. Ali estava o primeiro casal, alegres, cheio de amor pra dar. Peguei o meu pastel, e sentei do lado deles (meu maior erro). Usavam expressões, que eu usaria com crianças de dois anos (e olhe lá). Aquela melação toda me fez perder a paciência, e a fome também.

Segui andando, sem rumo, sem fome, mas naquele parque parece que eles te perseguem. Me surgiu uma ideia muito boa: Se o que eu precisava era relaxar, então nada melhor do que deitar na grama num dia de sol. Lá eu poderia me destacar dos casais, e quem sabe até dormir (estava muito cansado).

Realmente foi o que aconteceu. Dormi feito uma criança, mas acordei de um jeito não muito agradável. Um cachorro lambia meu rosto inteiro, e antes que eu desse “uma bica” no pobre animal, sua dona veio e o chamou:

- “Ô amoizinho, sai de cima do homi, sai! Cadê a mamãe, cadê?”

24 abril 2012

Amizade colorida

Mais uma vez ela chegou perto de mim, e eu sem saber o que fazer (o instinto age nessas horas). Isso já estava se tornando comum, mas éramos grandes amigos, e eu não podia confundir as coisas. Se aquilo era certo ou não, nem importava (pelo menos no momento).

A Marcela era um tipo de garota muito bipolar. Ao mesmo tempo em que era carinhosa, era maldosa. Primeiro ela sorria pra mim, depois chorava desabafando sobre seu namoro (enquanto comia um pote enorme de sorvete). Mas hoje tinha algo diferente nela, algo que nunca percebi nos seus olhos. Fomos nos aproximando cada vez mais, e aquela história de amizade foi se afastando (cada vez mais também). Ela vinha com aquele papo de “amizade-pós-relação”, mas em tal ponto não fazia mais sentido.

Descemos até o quarto dela, onde ela jurou que só ia me mostrar algo no PC. Na minha cabeça passavam coisas totalmente diferentes, sabia que aquilo era mentira e só servia de pretexto. Deitei na cama, esperando que ela também fizesse o mesmo. Do nada ela aparece, mas como era tão bipolar, olhou pra mim e disse:

- “O PC ligou, vem aqui ver!”

Como assim ligou? Realmente ela queria me mostrar algo no computador. A amizade que pra mim podia ser totalmente colorida, não passou do preto e branco.

18 abril 2012

Menino cavalheiro

Roberto nunca foi o que podemos chamar de cavalheiro. Dizia ele que seu pai sim era um gentleman, mas isso não foi herdado. Além de abrir a porta do carro para uma garota, podemos encontrar outros atos de cavalheirismo, como... deixa pra lá.

O fato, é que em transportes públicos, isso pode ter outros nomes: gentileza, consciência, "se toca". Esses nomes todos não fazem o menor sentido para quem não é acostumado. A velhinha chegou como quem não queria nada, mas logo foi revelando sua intenção. Dentro de instantes ela já estava do lado dele. Roberto com seu fone de ouvido no último volume, e seu livrinho de piadas nem se ligava (ou pelo menos fingia). A senhora começou a se jogar no banco, fazendo movimentos bruscos, sendo que o trem nem tremia.

Roberto teve a ousadia de perguntar:
 - "A senhora quer sentar?"
 - "Ficaria muito agradecida mocinho", disse a senhora muito feliz.

Como um "ato de bondade", Roberto se levantou cedendo o lugar. Muitos poderiam achar que ele tinha mudado, porém não era nada disso, desceu na próxima estação.