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13 julho 2011

Na fila do banco

Cheguei afobado, crendo em Deus pra não estar cheio. Mas parece que isso não adianta muito nos bancos (qualquer hora está cheio). Me envolvi no final da fila, que já dobrava naquele recinto. Enquanto eu esperava inquieto naquela fila imensa, os idosos conversavam e enrolavam na preferencial.

Finalmente a fila começou a andar, mas isso acontecia poucas vezes. O cara na minha frente começou a gritar: “Vamos logo pessoal, funcionário tem que trabalhar!”, mas isso não fez a fila andar. Aos poucos foram entrando mais pessoas no final da fila. Isso faz parecer que você está na frente (mas é tudo ilusão).

Pra ajudar ainda mais, o sistema parou, e tivemos que ouvir aquela velha frase: “Desculpe pessoal, está sem sistema”. Isso até ajudou um pouco, pois quase todo mundo foi embora. Agora dava até pra sentir o ar circular pelo ambiente. O sistema parou, mas as senhoras do preferencial não pararam de fofocar. Demorou um pouco pra voltar, que deu até pra fazer uma amizade com a garota atrás de mim. Ela falava meio estranho, tipo estrangeira, mas era só pra passar o tempo mesmo.

Quando o guichê e a minha senha apontavam para o mesmo número, fui até o caixa. Aquele cara era meio lerdinho (estagiário). Demorou pra ele entender que eu só queria pagar a minha conta. Bem que eu preferia que não tivesse entendido, me encaminhou para outro banco.

12 julho 2011

O lado ruim

Na hora em que se fala de ganhar um presente, é uma alegria só. É um tal de “muito obrigado” daqui, um “não precisava” dali, mas muita gente se esquece do lado ruim.

Era natal, e aquela tensão de ganhar o presente só aumentava. Os embrulhos que estavam perto da árvore eram muitos, e a cada hora aumentavam mais. Aos poucos o pessoal ia chegando, deixando o presente no pé da árvore (e o quitute na mesa de jantar). Eu sabia muito bem o que tinha pedido, mas não sabia se era o que ganharia.

No relógio já era 00:00, então nada mais óbvio do que todos ali jantarem. Depois de tudo isso, começou o amigo secreto. Os amigos vão se revelando, os presentes vão acabando, e eu só na expectativa. Meu primo anuncia meu nome. Eu abro o presente. De fato era o que eu havia pedido, mas não como eu queria.

Eu ganhei um tênis preto (tinha pedido um branco). O pior nessas ocasiões, é que você não vai ganhar outro tênis tão cedo, ou seja, tem que se conformar com aquilo. Logo depois me veio à ideia de trocar, mas não consegui. O tênis não tinha marca, quanto mais nota fiscal.

11 julho 2011

Espinhas :/

Óh não, ela ainda está aqui. Eu já fiz de tudo pra ela sair, mas não adiantou nada. Ela parece que gosta de mim, mas eu tenho horrores por ela. De um jeito ou de outro, essa espinha desgraçada tem que sair hoje.

O meu problema com as espinhas sempre foi uma batalha. Eu já tentei exterminar esse mal de várias formas (acnase, minancora, acnezil, limão, simpatia, caldo de rosas brancas, pasta de dente), mas elas insistem em voltar. Tentei também, remédios que os famosos indicam, como o Luan Santana ou a Mia do RBD, mas eles nem devem saber o que são espinhas.

A única alternativa que sobra, é a velha técnica de espremer, mesmo sendo politicamente incorreta. Eu tinha um encontro com uma garota essa noite, mas tinha esse pequeno (era bem grande) encosto comigo. A hora de sair se aproximava cada vez mais rápido, e nada do que eu tentava funcionava. Então isolei aquela coisa feia com um esparadrapo, e a partir dali seria um simples galo na cabeça.

No final até que deu certo. Ela acreditou que era um galo, e nem percebeu nada. Eu sabia que estava mentindo, mas era por uma boa causa. Sendo um problema ou não, as espinhas sempre dão um jeito de aparecer, mas como todos dizem, isso é uma fase. Assim espero.

07 julho 2011

Descanso da escola

“Eu estou de férias”. Essa é provavelmente a frase que todo o jovem quer dizer. Mas pelo decorrer da vida, percebi que não são todos. Quem pode dizer isso são só os que vão viajar, porque quem não tem planos, acaba “pedindo arrego”.

Se era pra eu estar feliz não sei, mas entrar de férias não era nada de mais. Primeiro que não eram férias, e sim um pequeno descanso. De qualquer jeito eu ia ter que ficar em casa, fazendo as tarefas de casa, fazendo as lições de casa. Pra piorar o meu primo (que é mestre em encher o saco), foi pra casa pra alegrar ainda mais minhas férias. Acordar todo dia com aquele ali não era fácil, tinha que ter uma paciência muito grande. Ele sobe em cima de você, fala gritando, e o pior de tudo é que ele está certo, porque é visita.

Falar que não me diverti seria um tanto mentira, mas duravam apenas algumas noites. Quando saía com os amigos, ou fazia outro programa. No geral eu não tinha o que fazer, voltando sempre para o estado “coçando” da vida. Quando minha mãe fazia um bolo, meu primo logo dizia: “Deixa eu lember a panela tia!”. Não sei o que me irritava mais, se era meu primo, o português do meu primo, as lições que tinha que entregar, ou a falta do que fazer. No MSN quando alguém perguntava: “E as novidades?”, eu logo respondia: “Nem tenho”, e o assunto acabava.

Querendo ou não a vontade de voltar para a escola só aumentava. Aquela rotina de acordar cedo todo dia, e ver todos meus amigos, era confortante e já fazia parte de mim. Um dia eu iria terminar o colegial e ver o quanto isso faz falta.

06 julho 2011

Com muita fome

Eu até sei me virar na cozinha (não sou a Palmirinha). Pra falar a verdade, eu mando bem, sei fazer um arroz, feijão e outras coisas também. Mas tem dias que você não está a fim de fazer comida(ou não tem comida), e sobra a opção de pedir algo pronto.

Eu estava com muita fome, que podia comer um boi inteiro. Eu ia de hora em hora visitar a minha geladeira mesmo sabendo que não tinha nada lá dentro. No fim do mês as coisas acabam, e como só tinha eu em casa não dava nem pra apelar pra “mamãe”. Olhei na carteira, e foi outra decepção (só tinha meu RG, e a conta de luz). A fome ia aumentando, e minhas ideias iam diminuindo. 

Achei um resto de fubá, taquei leite e comecei mexer na panela. Na hora da fome, qualquer coisa vai, mas aquilo ali nem meu cachorro comeu. O “mexidão” ficou tão ruim, que tive que jogar no lixo. Veio a idéia de dormir. Dizem que quando você dorme, perde a fome, então tentei. No começo parecia até funcionar, mas não durou muito. Eu podia ouvir meu estomago: “Eu quero comida seu idiota!”. Como não tinha nenhuma outra saída, tive que apelar para o vizinho.

Cheguei com aquela cara de quem não quer nada, e logo já estava lá dentro. O cheiro de comida me tirava à atenção de qualquer coisa que ele dizia. Posso afirmar que ele falou com as paredes, eu nem estava dando bola. Quando a mãe dele disse: “O jantar está pronto”, fiquei tão feliz que saí na frente de todos. Jantamos, contamos piadas, e deu a hora de ir embora. Como a fome era tanta, eu nem lembrei que era sensível á repolho. Passei o resto da noite no trono.

05 julho 2011

Churrascada

Esse não era um dia normal, era um dia de churrasco em família. Nessas ocasiões você encontra até os parentes que não sabia que tinha. É hora de rever as pessoas que eu só encontro no velório, ou coisa do tipo.

Fui obrigado a acordar cedo pra arrumar toda aquela bagunça de casa. Nestes dias as tarefas parecem que não acabam. Você tem que lavar as grelhas, lavar a louça, comprar as carnes e mandaram eu limpar até meu quarto (o churrasco não é lá fora?). Aos poucos vai chegando o pessoal. Pior que os seus parentes são as amigas da sua mãe. Elas sempre têm que soltar a mesma frase quando te vê: “Nossa, como ele cresceu, né!”.

A carne já estava acabando e a alegria do povo também. É aqui que o nível da festa vai caindo. As piadinhas já não têm mais graça, seu tio começa a dançar (bêbado), e vão colocando qualquer coisa na churrasqueira, como: banana, mandioca, e por aí vai. Quando todo mundo já estava mais que satisfeito, e meu tio mais do que bêbado, começaram a tocar no assunto de ir embora. Por dentro eu comemorava (estava muito cansado), mas por fora era obrigado a falar: “Tá cedo tia!”.

Mas é claro que eles não vão embora, isso é só uma espécie de bons modos. Eu comecei a ver que até minha mãe já estava cansada. Aos poucos as indiretas vão saindo: “Amanhã tenho que trabalhar”, mas mesmo assim eles conseguem ficar até o jantar. No final (depois de enrolar bastante), todos vão embora, e fica bem claro o porquê churrascos em família acontecem com pouca frequência por essas bandas.

04 julho 2011

A coragem tecnológica

Vontade e coragem são duas palavras distintas, mas no amor elas começam a fazer muito sentido. Quando voce está apaixonado (além de parecer um idiota), voce tem toda a vontade do mundo, mas falta toda a coragem do mundo. 

Pra mim, não falar com ela já era algo normal. Mas eu não falava porque não queria, ou porque não podia, faltava a tal da coragem. Sem ter o que fazer, comecei a usar os recursos da minha geração. Dentro da era tecnológica e atual, surgiu um serviço chamado MSN. É nele que muitas pessoas conversam e que os  “caras-sem-coragem” , podem se deleitar. Também existe uma coisa chamada subnick (que foi inventado para dar indiretas), que voce coloca uma frase. Eu esperava ela entrar. Era como se fosse falar com ela pessoalmente (mas aquilo não passava de um PC ). Ela entrava. Ela saia, e eu ficava ali parado, esperando Deus sabe o que. Nessas horas creio que o que mais pesa, é saber o que vai falar (Será que ela vai gostar? Que assunto vamos falar? Eu tenho alguma chance?).

Depois de tudo isso, comecei a conversa. Eu odeio ter que usar a velha introdução:  “Oi. Tudo bem? Novidades?”,  ou para aqueles mais “descolados” : “Oi. Td bm? 9dades?”, mas não tinha como pensar em outra coisa. Seja com a simples introdução, ou a introdução “descolada”, eu tinha que desenvolver algo mais. A conversa foi se desenrolando, e fiquei até surpreso. Saí dali me sentindo o rei da sedução, mas sabia que no corpo-a-corpo não faria nem a metade disso. 

A tecnologia trouxe uma facilidade de se esconder por trás das maquinas, e isso é tão usual nessas horas. Depois dessa conversa, me senti mais livre pra poder trocar idéia com ela. Foi uma espécie de barreira que eu tinha quebrado, mas que não adiantou de nada, porque ela tinha namorado. 

01 julho 2011

Estágio de escravo

Acordei bem tarde como de costume. Levantei mais tarde ainda. Escovei os dentes, tomei meu café. Pra falar a verdade eu nem tomei banho, estava muito atrasado. Saí correndo (parecia o Usain Bolt). Me desesperei tanto, mas foi tudo em vão. Tive que esperar mais 30 minutos no ponto de ônibus.

Enfim o ônibus chegou. Estava lotado, não cabia mais ninguém. O cidadão desceu e disse : “Eu não mereço isso!”. Menos um já ficou mais “confortável”. Fui passando entre todos, encoxando as senhoras, e sendo encoxado pelos senhores, até chegar no fim do ônibus. Não queria nem imaginar o que meu chefe falaria pra mim quando chegasse no trabalho, que por sinal era um estágio.

No meio do percurso o ônibus parou. Primeiramente pensei que seria mais um ponto em que ele parava, mas ele começou a demorar para dar partida novamente. O povo começou a olhar pra frente (e quando um olha, todos olham). Logo começaram os comentários, e os xingamentos também. Eu não sabia ao certo o que estava acontecendo, mais sabia muito bem o que ia acontecer se eu demorasse mais 10 minutos. Depois de um tempo o cobrador avisou que o ônibus tinha quebrado, e ordenou que todos saíssem dali de dentro. Todos saíram e ficamos esperando outro ônibus que eu já estava avistando. Agora imagine você. O outro ônibus também estava lotado, e ainda tinha umas 20 pessoas que saíram do meu ônibus. Foi o pior ônibus que já peguei em toda a minha vida.

Estagiar não era uma coisa fácil. Quando você é estagiário, eles acham que você pode fazer de tudo no trabalho. Além de fazer o meu trabalho, tinha que digitar formulários, fazer entregas, e comprar bolachas (eles só não me colocaram na limpeza, porque existia a Dona Alberta). Meu chefe nem brigou comigo nesse dia, pelo contrário, me encheu de tarefas inúteis. Acho que todo adolescente já passou por isso, aí me sinto um pouco melhor.