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01 julho 2011

Estágio de escravo

Acordei bem tarde como de costume. Levantei mais tarde ainda. Escovei os dentes, tomei meu café. Pra falar a verdade eu nem tomei banho, estava muito atrasado. Saí correndo (parecia o Usain Bolt). Me desesperei tanto, mas foi tudo em vão. Tive que esperar mais 30 minutos no ponto de ônibus.

Enfim o ônibus chegou. Estava lotado, não cabia mais ninguém. O cidadão desceu e disse : “Eu não mereço isso!”. Menos um já ficou mais “confortável”. Fui passando entre todos, encoxando as senhoras, e sendo encoxado pelos senhores, até chegar no fim do ônibus. Não queria nem imaginar o que meu chefe falaria pra mim quando chegasse no trabalho, que por sinal era um estágio.

No meio do percurso o ônibus parou. Primeiramente pensei que seria mais um ponto em que ele parava, mas ele começou a demorar para dar partida novamente. O povo começou a olhar pra frente (e quando um olha, todos olham). Logo começaram os comentários, e os xingamentos também. Eu não sabia ao certo o que estava acontecendo, mais sabia muito bem o que ia acontecer se eu demorasse mais 10 minutos. Depois de um tempo o cobrador avisou que o ônibus tinha quebrado, e ordenou que todos saíssem dali de dentro. Todos saíram e ficamos esperando outro ônibus que eu já estava avistando. Agora imagine você. O outro ônibus também estava lotado, e ainda tinha umas 20 pessoas que saíram do meu ônibus. Foi o pior ônibus que já peguei em toda a minha vida.

Estagiar não era uma coisa fácil. Quando você é estagiário, eles acham que você pode fazer de tudo no trabalho. Além de fazer o meu trabalho, tinha que digitar formulários, fazer entregas, e comprar bolachas (eles só não me colocaram na limpeza, porque existia a Dona Alberta). Meu chefe nem brigou comigo nesse dia, pelo contrário, me encheu de tarefas inúteis. Acho que todo adolescente já passou por isso, aí me sinto um pouco melhor.

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